Racionalidade Macunaímica: uma história da sociodicéia da modernização brasileira

Resumo: Trata-se de uma pesquisa que investigará comparativamente as variações dos projetos de modernização da sociedade brasileira desenvolvidos em consonância aos grandes diagnósticos críticos implementados por diversos setores de sua inteligência e das classes intelectuais. Em paralelo à investigação dos projetos de modernização, a pesquisa se concentrará nos padrões de racionalidade subjacente a eles. Para efeito de controle lógico, a pesquisa estabelece o que seria uma tipologia provisória dos discursos historiográficos/sociológicos produzidos em torno do problema da modernização da sociedade brasileira. Divide-se, assim, a historiografia brasileira em duas fases: uma que chamamos de discurso histórico pré-modernista e outra que chamamos de discurso histórico modernista. A primeira fase se distende numa tendência Romântica, cujos maiores expoentes foram Francisco Varhangen e Joaquim Nabuco, e noutra Realista, cujos maiores expoentes foram Euclides da Cunha e Capistrano de Abreu. O discurso histórico modernista, por sua vez, se distende em três tendências: uma culturalista, cuja expressão original e mais coerente ganha forma nas obras de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda; outra funcionalista, que remete às contribuições de Caio Prado Júnior e Florestan Fernandes; e uma terceira tendência, que chamamos de desenvolvimentista-evolucionista, que se corporifica no espaço institucional do ISEB e dos intelectuais que se agruparam em torno dele. O objeto central da investigação consiste em observar/investigar como o discurso histórico brasileiro teve como ingrediente ativo, embora muitas vezes implícito, a categoria de modernização e como, em função disso, ele variou em torno de uma comparação hierarquicamente enviesada com as sociedades capitalistas industrializadas que sempre foram o arquétipo das utopias modernizadoras.

Coordenador: Prof. Dr. Ulisses do Valle.